Ruído de baixas frequências – critérios de avaliação

1 INTRODUÇÃO

Aqui explica-se o que são as isofónicas e porque razão é necessário um critério distinto do da regulamentação portuguesa para a avaliação do ruído de baixa frequência.

Veja aqui uma apresentação sobre este tema:

2 CARACTERÍSTICAS DO RUÍDO NO INTERIOR DAS HABITAÇÕES

 Com os recetores no interior de edifícios, a alguma distância da unidade industrial ou das fontes, as componentes de alta e média frequência do ruído são dissipadas ou absorvidas pelo ar, condições do solo e fachadas, deixando sobretudo ruído de baixa frequência, que é o que frequentemente se escuta nas habitações e gera incomodidade, sobretudo à noite e em condições de baixo ruído de fundo. 

Surge assim a questão do ruído de baixa frequência, associada ao funcionamento de máquinas e unidades industriais que é típica dos países industrializadas. É agora um problema especifico de ruído, reconhecido em muitos países.

3 A PERCEPÇÃO DO RUÍDO – AS ISOFÓNICAS

Desde há muito que a perceção humana do som é estudada existindo inúmeros estudos e normalização sobre o tema. É, hoje em dia, uma área tecnológica madura. A norma ISO 226 é onde estão estabelecidas as curvas de igual perceção sonora, designadas por isofónicas.

As curvas Isofónicas são linhas de sons de igual perceção de intensidade auditiva em função da frequência.

As curvas isofónicas normalizadas foram determinadas a partir de respostas binaurais, de vários jovens saudáveis de idades na casa dos vinte anos, a tons puros normalizados em condições de campo livre (câmara anecoica). A linha a verde mostra o limiar de audição normalizado. Cada curva isofónica pode-se expressar em fones. O fone é uma escala escolhida de modo a que à frequência de 1000Hz, o número de fones LN seja igual ao nível de pressão sonora Lp. Na figura pode-se ver um gráfico com as curvas isofónicas.

No eixo vertical tem-se o nível de pressão sonora, em dB, e na horizontal tem-se a frequência, em Hz. Cada curva corresponde a um igual nível de perceção sonora que se vê que depende muito da frequência do som. Onde as curvas têm um mínimo, corresponde à frequência onde nós melhor ouvimos. Pode-se ver que a gama de frequência onde melhor ouvimos, por outras palavras, onde o nosso ouvido é mais sensível, é a que está situada entre 1000 e 4000 Hertz. Vê-se também que à medida que a frequência diminui, para termos igual perceção do som, este necessita de ter valores cada vez mais elevados.

4 O RUIDO DE BAIXAS FREQUÊNCIAS

Como se pode observar nas curvas de igual perceção sonora nas zonas de frequência mais baixa, entre 20 e 125 Hz (a azul, na figura a seguir apresentada), o crescimento da perceção é muito mais rápido que a frequências mais altas, por exemplo a 20 Hz, as curvas isofónicas, na zona de interseção com o eixo vertical, aproximam-se. Quando a frequência é de 1000 Hz são mais espaçadas.

5 A NOSSA PERCEPÇÃO DO CRESCIMENTO DO RUÍDO DE BAIXAS FREQUÊNCIAS

Quando o nível sonoro sobe 30 dB na zona de baixas frequências, a 20 Hz, a perceção sonora aumenta quase de 55 fones, enquanto a um igual aumento na zona dos 1000 Hz, corresponde a um crescimento de 30 fones, como se pode ver na figura a seguir apresentada. Este efeito é mais acentuado quando os níveis de ruído são mais baixos (isofónicas 10, 20 e 30), o que infelizmente é o que acontece, normalmente, dentro das habitações.

Por outras palavras, somos mais sensíveis à subida dos níveis de ruído quando estes ocorrem a frequências entre 20 e 50 Hz, do que quando estes ocorrem por exemplo entre 1000 e 2000 Hz. Logicamente, a incomodidade gerada por qualquer ruído vai depender da sua frequência, e dentro das habitações, somos mais sensíveis à subida de níveis de ruído que ocorram a baixas frequências, na zona próxima dos 20 Hz.

Desta forma, de acordo com a sensibilidade da maioria das pessoas, uma subida de 2 dB(A) de um ruido a uma frequência próxima dos 50 Hz, é sentida quase da mesma forma que uma subida de 4 dB (A) a 1000 Hz. 

Veja aqui um vídeo sobre o que são as isofónicas:

6 RUÍDO DE BAIXA FREQUÊNCIA – CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

A reação de incomodidade dos seres humanos gerada pelo crescimento do ruído de baixa frequência é distinta da gerada pelo crescimento dos níveis de ruído a frequências mais elevadas.

Estas situações, distintas, devem ser contempladas pelos critérios de avaliação acústica da reação de incomodidade dos seres humanos, para estes refletirem a reação das pessoas.

Esta realidade não está contemplada, na lei portuguesa, nomeadamente no Regulamento Geral do Ruído (DL 09/2007).

Para melhor caracterizar a reação de incomodidade das pessoas é, portanto, necessário adotar as metodologias de avaliação acústica que refletem o que hoje em dia se sabe sobre este tema, nomeadamente sobre a reação das pessoas a ruído de baixas frequências, efetuando uma avaliação de acordo com o referido nas normas de avaliação de ruído de baixas frequências.

A Ruido de Baixa Frequência Engenharia pode colaborar em:

1. Através de ensaios acústicos, identificar a existência de ruído de baixa frequência de acordo com a metodologia da norma Alemã DIN 45680:2013 – Medição e avaliação de imissões de ruído de baixa frequência;

2. Identificar as fontes de ruído de ruído de baixa frequência;

3. Definir as ações necessárias para eliminar o ruído de baixa frequência;

4. Seguir a implementação dessas medidas.

Caso pretenda alguma informação adicional, por favor contacte-nos.

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