Avaliação acústica

Aqui faz-se uma breve revisão do que é a avaliação acústica e quando é utilizada com especial foco na avaliação de incomodidade.

Em que consiste a avaliação acústica

A avaliação acústica consiste no seguinte:

  • Medição dos níveis de ruído ou dos parâmetros acústicos de acordo com um procedimento estabelecido;
  • Comparação dos resultados com critérios previamente estabelecidos.

Avaliação acústica o sonometro

Situações comuns em que é necessário efetuar uma avaliação acústica

Em Portugal e noutros países, existe numerosa legislação sobre requisitos acústicos que têm de ser cumpridos, como sejam por exemplo:

Para verificar se estes requisitos legais são cumpridos tem assim lugar a avaliação acústica.

A seguir pode ver uma apresentação sobre este tema.

Avaliação acústica – situações em que ocorre incomodidade devido ao ruído

Em termos de critérios de avaliação acústica de incomodidade normalmente distinguem-se duas situações:

  • Ruído de vizinhança – incomodidade gerada por vizinhos (que não exerçam uma atividade económica)
  • Incomodidade gerada pelo ruído de uma atividade económica;

avaliação acústica atividade barulhenta

Avaliação acústica – Ruído de vizinhança gerado em habitações

Caso o ruído de vizinhança seja gerado por alguém a sua casa, por outras palavras, não seja gerado numa atividade económica, este tema é tratado pela polícia e não existem critérios de avaliação acústica.

Assim a lei portuguesa define «Ruído de vizinhança» como sendo:

“o ruído associado ao uso habitacional e às atividades que lhe são inerentes, produzido diretamente por alguém ou por intermédio de outrem, por coisa à sua guarda ou animal colocado sob a sua responsabilidade, que, pela sua duração, repetição ou intensidade, seja suscetível de afetar a saúde pública ou a tranquilidade da vizinhança”

Nos termos da lei portuguesa, quando se trate deste tipo de ruído de vizinhança as autoridades policiais podem ordenar ao produtor de ruído de vizinhança, produzido entre as 23 e as 7 horas, a adoção das medidas adequadas, para fazer cessar imediatamente a incomodidade.

Podem também fixar ao produtor de ruído de vizinhança produzido entre as 7 e as 23 horas um prazo para fazer cessar a incomodidade.

avaliação acústica ruído de vizinhança ar condicionado

Avaliação acústica – Incomodidade gerada pelo ruído de uma atividade económica

Caso o ruído seja gerado numa atividade económica existem limites claramente definidos, nomeadamente os que constam no designado “Critério de incomodidade”.

A seguir pode ver uma apresentação sobre este tema.

Avaliação acústica – Características do Ruído que provocam Incomodidade

Para a grande maioria das pessoas um ruído específico é considerado incomodativo ou não em função dos seguintes fatores:

  1. Nível sonoro 
  2. Espectro do ruído
  3. Características temporais do ruído
  4. Atividade das pessoas
  5. Altura do dia
  6. Tempo de exposição
  7. Atitudes individuais em relação à fonte de ruído

Avaliação acústica – Nível sonoro do ruído

O nível sonoro é a principal característica do ruído que determina o desconforto. Quanto maior for o nível maior é a reação negativa e, consequentemente, o incómodo associado.

A seguir pode ver uma apresentação sobre este tema.

Espectro de frequência do ruído

A cada espectro de um ruído correspondem reações de maior ou menor incomodidade. Um ruído com um timbre neutro (ex: o barulho da chuva) não é incomodativo. O grau de incomodidade é mais elevado para tons puros do que para sons musicais ou ruídos aleatórios da banda larga. Em geral, quanto maior é o conteúdo tonal de um ruído, maior é a incomodidade. Ruídos do tipo “chiar” de travões ou silvos são particularmente desagradáveis para o ouvido humano (ex.: ruído do metropolitano numa curva apertada, provocada pelo deslizamento forçado das rodas metálicas sobre o carril metálico). Num espectro uniforme, existe um aumento de incomodidade causado pela emergência de tons puros.

A seguir pode ver um vídeo sobre este tema.

Características temporais do ruído

Os ruídos intermitentes, bem como os resultantes de impactos, explosivos ou tiros são mais incomodativos do que ruídos estáveis e contínuos – como o barulho da chuva – porque são repentinos e inesperados. Este tipo de ruído pode mesmo provocar uma reação reflexa de susto, de sobressalto com efeitos não só psicológicos, mas também físicos. Entretanto o corpo só volta ao seu estado prévio após alguns minutos.

Atividade desenvolvida pelas pessoas

Nem sempre se tem a mesma reação em relação a um mesmo ruído particular. Dependendo esta reação do que se esteja a fazer no momento, da atividade e da altura do dia em que ocorre o ruído. Por exemplo, na sala de estar, pode-se ficar mais incomodado pela música que o vizinho está a tocar, quando se está a ler um livro, do que quando se está numa atividade social de convivência com amigos. A seguir encontra-se uma lista de atividades classificadas (aproximadamente) de acordo com o seu grau crescente de sensibilidade em relação a um ruído incomodativo:

             Atividade manual.

             Atividades sociais.

             Atividades caseiras.

             Atividade intelectual.

             Sono.

avaliação acústica barulho noturno

A altura do dia

Um dia normal, para a maioria das pessoas e para a legislação, pode-se dividir em três períodos: período de trabalho, de laser e período de descanso. Critérios diferentes serão então usados para os diferentes períodos do dia: madrugada, manhã, tarde, princípio da noite e noite. Para simplificar normalmente considera-se o dia dividido em três períodos: diurno entardecer e noturno.

Duração da exposição ao ruído

Para a determinação do grau de incomodidade, a duração da exposição ao ruído é um fator tão importante como o nível sonoro. A perturbação causada por trabalhos de construção civil durante um período de dois dias é menos importante que a causada durante um período de dois meses. Do mesmo modo, é menos incomodativo ouvir um ruído durante meia hora por dia do que ouvir o mesmo ruído durante um período de oito horas de um determinado dia.

A atitude individual perante a fonte de ruído

A atitude de um indivíduo perante o ruído depende da sua vivência psicológica, social e cultural. Por exemplo, um motociclista não se sente incomodado pelo ruído do seu próprio veículo. É também muito tolerante em relação ao ruído gerado por outros motociclistas. Um apreciador de música clássica frequentemente reage muito mal à música rock. As pessoas mais idosas têm tendência para não suportar os “gritos” das crianças. Os povos mediterrânicos toleram muito mais o barulho do que os povos do norte da Europa; tem a ver com o seu estilo de vida.

avaliação acústica atitude individual

Avaliação acústica – o critério de incomodidade do ruído a utilizar relativamente a ruído de gerado em atividades económicas (cafés, fábricas, etc.)

Caso o ruído seja gerado numa atividade económica existem limites claramente definidos, nomeadamente os que constam no designado “Critério de incomodidade”. Isto está definido no Regulamento Geral do Ruído (DL 09/2007).

O critério de incomodidade legal baseia-se na diferença entre o nível sonoro com a fonte em causa (denominado Ruído Ambiente – RA) e o nível sonoro sem a fonte em causa (denominado Ruído Residual – RR). Assim, o valor desta diferença (RA-RR) é comparado com um valor limite máximo, tendo em conta o período ou períodos do dia em que ocorre o ruído.

Assim, o critério de incomodidade definido nesta lei é o seguinte:

nº 1 b) do artigo 13º

LAeq ra – LAeq rr  (RA-RR) Valores reportados a 1 mês

Diurno     (07H00-20H00)

Entardecer (20H00 – 23H00)

Nocturno (23H00 -.07H00)

Diferença entre o valor de LAeq ra (ruído ambiente) medido durante a laboração da empresa e o valor de LAeq rr (ruído residual), medido no mesmo período, mas com a empresa parada

 5 dB(A)

+

 D

 4 dB(A)

+

 D

 3 dB(A)

+

 D

O D é um fator dependente da duração do ruído em estudo no período de referência (anexo I do D.L.).

Para além disto existem dois fatores agravantes para componentes tonais nem componentes impulsivas no ruído emitido pela instalação, cada um no valor de 3 dB(A).

E o ruído de baixa frequência?

Infrassons e ruído de baixa frequência – o que são?

  • Sons com uma frequência de 20 Hz e inferior são chamados de infrassons;
  • Entende-se por som de baixa frequência o som cuja frequência é inferior a 125 Hz;
  • Infrassom e sons de baixa frequência não podem ser classificados como completamente inaudíveis;
  • Podem-se ouvir se o nível for suficientemente alto.

Ruido baixa frequencia e comum - zona de audição

Fontes de infrassons e ruído de baixa frequência:

Incomodidade gerada por infrassons e ruído de baixa frequência

As situações de incomodidade, geradas por ruído de baixa frequência são muito comuns.

Na Europa existem diversos países com regulamentação especifica sobre este tema.

Apesar de não existir em Portugal regulamentação especifica sobre ruído de baixa frequência, mesmo assim as pessoas têm os seus direitos protegidos pela Constituição da República.

Avaliação de ruído de baixa frequência

Para determinar se existe ruído de baixa frequência, susceptível de gerar incómodo, pode-se utilizar uma norma reconhecida internacionalmente, como seja por exemplo a norma Alemã “DIN 45680:2013 Measurement and assessment of low-frequency noise immissions“.

Para os interessados, aqui pode-se ver uma tradução da introdução desta norma.

A seguir pode ver uma apresentação sobre avaliação de ruído de baixa frequência

 

A Ruido de Baixa Frequência Engenharia pode colaborar em:

1. Através de ensaios acústicos, identificar a existência de ruído de baixa frequência de acordo com a metodologia da norma Alemã DIN 45680:2013 – Medição e avaliação de imissões de ruído de baixa frequência;

2. Identificar as fontes de ruído de ruído de baixa frequência;

3. Definir as ações necessárias para eliminar o ruído de baixa frequência;

4. Seguir a implementação dessas medidas.

Caso pretenda alguma informação adicional, por favor contacte-nos.

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